terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Mãos fracas

“Os pais não se voltarão para ajudar seus filhos, porque suas mãos estarão fracas.” Jeremias 47:3b. Quando li o versículo acima pensei: meu Deus é exatamente isso que está acontecendo hoje em dia! Você tem a mesma impressão que eu? De que grande parte dos pais e mães parecem estar desanimados, fracos e por isso, não conseguem atender a seus filhos? Quando chamo os pais para conversar sobre os problemas de seus filhos, na maioria das vezes fico surpresa e assustada, pois tenho encontrado muitos pais sem condição alguma de ajudar a seus filhos. Eles estão com suas mãos fracas. Outro dia na escola uma menina de sete anos estava chorosa e angustiada por que sua mãe lhe disse na noite anterior que iria entregá-la para alguém, pois ela não aguentava mais a situação, e que eles haviam comido o último alimento que tinham em casa. Seu rosto expressava desamparo, abaixo do cabelo castanho e fino. Esta mãe estava tão fraca que expôs sua criança a uma situação agonizante até para os adultos. Aos poucos fomos percebendo que há um jogo onde ela usa sua filhinha para atingir o ex-marido.
Há uma fraqueza generalizada: espiritual, emocional e física. São inúmeras as situações em que os pais não se voltam para seus filhos por causa da sua fraqueza. Infelizmente em uns 80% dos casos de crianças com problemas de comportamento ou de aprendizagem a causa principal é o desajuste familiar. Chamamos a família para tentar resolver os problemas das crianças e nos deparamos com adultos sem estrutura e sem condições de ajudar até a si próprios. Os filhos estão em perigo, mas os pais não têm condições para acudi-los, como já havia anunciado o profeta Jeremias: “Eles ouvirão o ruído das patas dos cavalos, o barulho dos carros de guerra e o estrondo das suas rodas. Os pais não voltarão para buscar os seus filhos, pois os seus braços estarão fracos, caídos”. Jeremias 47:3. (BLH).
Eu e uma professora estamos tentando ajudar uma garotinha que já está até sendo ignorada na escola pelos colegas por causa de seu comportamento agressivo e provocativo. Quando mandamos outro comunicado para a família, informando mais uma peripécia da pequena, a mãe se revoltou e escreveu um bilhete transferindo toda a responsabilidade para a escola, “que por ser cristã, tem que dar conta dos problemas da menina” – desabou ela. Essa mãe trabalha o dia todo e estuda a noite. Nos fins de semana também não tem tempo de qualidade com sua filha. A garotinha já chegou na escola uma vez com o corpo marcado por causa da surra que levou do pai, segundo ela. Por fim a menina teve que mudar as pressas de cidade pois ela e o pai viram a mãe entrando em um motel com um homem. Eu gostaria de dizer que tudo correu bem para esta menina. Mas não correu. A respiração despencava da boca do seu pai quando ele me disse que só não matou a mulher naquele momento porque estava com sua filha, que viu a cena. Que virá a ser esta menina? Eu não sei, pois eles sumiram no mundo. Quem está criando essa menina? Onde estão seus pais quando ela mais precisa? Eles estão com as mãos fracas e transferindo suas responsabilidades para outros, no caso, para a escola. Isso não ajuda em nada! Pois sem a parceria dos pais, não há como resolver esses tipos de conflitos, pois Deus delegou aos pais a missão de educar os filhos. Que confusão de papéis estamos vivendo! Sabemos que a escola deve ser uma instituição que fortalece e apóia as mãos dos pais na educação de seus filhos, mas como disse Anísio Teixeira: “Antes de mais esclareçamos que não são as escolas as responsáveis pelas transformações do espírito da sociedade. As escolas são como os romancistas, também acusados de corromperem a sociedade. Elas, como eles, refletem, tão somente, o que já vai pela própria sociedade.”
O sociólogo francês Bernard Lahire escreveu: “Viveríamos em uma sociedade na qual os pais não ‘conversam mais com seus filhos’, não têm ‘mais tempo’ ou ‘mais vontade’ por causa de suas ocupações profissionais, onde os círculos familiares se tornam ‘cada vez mais instáveis’, com mães solteiras, famílias ‘implodidas’ pelos divórcios, separações e situações econômicas ‘precárias’. Os filhos, em tais situações, ‘perdem todos os parâmetros’, ‘não desenvolvem sua linguagem’ e ‘são abandonados a si próprios’. Quanto aos pais, estes deixam de ser ‘verdadeiros pais’: não desempenham – ou não desempenham mais - seu ‘papel,’ ‘omitem-se’e não cuidam mais dos filhos’.
Este versículo: “Os pais não se voltarão para ajudar seus filhos, porque suas mãos estarão fracas”; trouxe-me à memória um documentário de assisti de uma mulher sem braços. Ela é casada, cuida de seu bebê, dos afazeres domésticos e até dirige. E acredite: ela não tem mãos e nem braços! Usa os pés, as pernas e o resto do corpo para ter uma vida a mais próxima possível do normal. Ao ver o desempenho dessa mulher, fiquei impressionada e envergonhada das vezes que me desanimo ou que reclamo da vida. Talvez você esteja se sentindo como essa mulher sem mãos e sem braços... Tamanho seu cansaço e desânimo.
E agora, o que fazer?
Saiba que as mãos do Pai do Céu estão estendidas para você. “Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para que não possa ouvir;” (Isaias 59:1).
Que fazer com a falência familiar que já conhecemos?
O perigo é gritante!
Não há uma formula a prescrever. Mas há um caminho a seguir que levará a vitória: guerrear, lutar! Mãos a obra, como o profeta Jeremias anunciou no mesmo capítulo no versículo 7: “Como podes estar quieta, se o Senhor te deu ordem? Contra Asquelom e contra as bordas do mar é para onde ele te dirige.”
O Senhor te conduz. A ordem de Deus no final do mesmo texto é: ataque! Lute!
Não dá para descansar ou ficar quietos enquanto nossos filhos e filhas perecem!
Pais e educadores vamos nos levantar como guerreiros do Senhor Deus e lutar por nossas crianças! Como já me disse uma amiga - acho que é até por isso que meu nome é Guerra - estou te conclamando para a batalha em favor dos pequeninos. Como A Bíblia NVI diz: “Mas como poderá ela descansar quando o Senhor lhe deu ordens, quando determinou que ataque Ascalom e o litoral?” Jr 47:7. Ascalom representava os inimigos do povo de Deus.
O Senhor deu ordem para que sua mão pegue a espada e lute contra os inimigos! Ele te dirige para guerrear por seus filhos e filhas. Receba a força e a direção que vem do Senhor dos exércitos. É Ele quem capacita suas mãos para batalhar. Não procure saídas em lugares errados como alguns pais tem feito: na bebida, na prostituição, nos lugares e nas pessoas erradas. Muitos estão sem forças, pois tem buscado falsos auxílios. A Bíblia diz: “Olhem para o Senhor e para a sua força; busquem sempre a sua face. Lembrem-se das maravilhas que ele fez, dos seus prodígios e das ordenanças que pronunciou.” 1 Crônicas 16:11,12.
Que o Senhor Deus fortaleça nossas mãos. Mãos que seguram os bebês com segurança. Mãos que acariciam com seu toque. Mãos que servem, que alimentam, que suprem as necessidades.
Que suas mãos estejam sempre estendidas não para você apenas, mas para o outro, para seus filhos e filhas. Mãos que tocam, mãos que servem. Mãos que protegem, mãos que disciplinam e cuidam.
Como são belas as mãos. Representam apoio, socorro, segurança, confiança, direção. O que suas mãos representam para seus filhos?
Que seus filhos saibam em seus corações que as mãos de seus pais estarão sempre estendidas para eles.
Nossos filhos e filhas querem e precisam de mãos, fortes, sábias, que os conduzam pelo caminho certo.
Quando você entrar pelos portões celestiais, quem trará em suas mãos?
Um dia você se encontrará com seu Criador. Que neste você possa chegar com seu filho de mãos dadas e entrar pelos portões e dizer ao Pai do Céu: _ Senhor, aqui está a vida que o Senhor colocou em minhas mãos, eu cumpri bem a missão que me confiou.


Texto de Alexa Guerra extraído de seu livro "Ciclos: de vida e de morte, em qual deles sua família está?" Alexa é esposa e mãe. Escritora, pedagoga, palestrante e jardineira.E-mail: alexaguerra76@hotmail.com Blog: alexaguerra.blogspot.com



Bibliografia consultada:
TEIXEIRA, Anísio. Pequena introdução à filosofia da educação: a escola progressiva ou a transformação da escola. 5ªed. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1968. 150p. Disponível na internet em http://www.prossiga.br/anisioteixeira/livro5/anisio5.zip. Capítulo 1 – pg 2.
LAHIRE, Bernard. Sucesso Escolar nos Meios Populares: as Razões do Improvável. São Paulo: Ática, 1997, p. 13.
Postar um comentário

Pesquisa Google

Google