quarta-feira, 11 de junho de 2008

Uma conversa com duas crianças que me marcou:

Uma família completamente nova.

Eu estava agachada diante de duas meninas de quatro anos de idade e conversava com elas por causa de suas constantes brigas e agressões físicas na escola. Uma delas, a maior, entregou a sua mãe - como elas sempre fazem nesta idade:
"_ Mas a minha mãe disse que é para eu descontar se alguém me provocar!"
A outra menina, bem menor do que a outra, tomou coragem e disse:
"_ A minha mãe também disse isso."
Respirei fundo, pois já vi esse filme antes, e respondi:
_ Então vou ter que chamar as suas mamães aqui na escola para conversarmos, pois não podemos bater uns nos outros. Vocês acham certo bater? _ E as duas balançaram a cabeça gesticulando um não bem enfático. A maior que falava lentamente, disse com seu olhar distante e apagado:
_ Mas minha mãe bateu no meu pai e jogou as roupas dele na rua... _ A outra a interrompeu em prantos:
_ E a minha mãe chamou a polícia para o meu pai e eles brigam muito! _ As lágrimas desciam pelo seu rostinho pequenino, as mãozinhas começaram a tremer. Eu fiz um gesto de apoio segurando em sua perninha. A outra garotinha olhou para minha mão então percebi e também coloquei a outra mão em seu joelho enquanto eu as acariciava.
_ Mas vocês não precisam ser como seus pais, vocês podem ser diferentes. Nós vamos ajudar se vocês quiserem. _ Eu disse e olhei para a coordenadora que estava ao lado.
A de olhos e rosto molhados dizia entre soluços:
_ Eu quero, eu quero...
A outra gesticulou com a cabeça dizendo que também queria. Seus olhos inexpressivos penetraram pelos meus.
_Então vamos ajudar vocês, mas vocês não podem bater uma na outra, tudo bem?
A coordenadora da escola continuou a conversa com elas enquanto eu me levantei angustiada para recuperar o fôlego! Mas meu coração continuou no chão, aos pés das garotinhas.
Uma menina parecia anestesiada e distante. A outra olhava profundo nos meus olhos e deixava sair por suas lágrimas a angustia e o desespero.
Neste ponto uma aflição tomou conta de mim. Me dei conta de que a situação de muitas outras crianças é exatamente esta. Tão pequenas e já tem tantos problemas causados por seus pais! Quem trabalha com crianças lida com estas situações constantemente. É angustiante a situação das famílias! Elas estão como terrenos áridos, trincados pela secura, onde só nascem plantas duras com espinhos, que suportam a sequidão do deserto.
"Esse é o quadro - que não é de destruição, mas de reconstrução. Aquelas terras limitadas pelo espaço, pelo tempo, pela matéria e pelos sentidos precisam ser capinadas, cavadas e semeadas em busca de uma nova colheita. Pode até ser que estejamos cansados daquelas terras antigas; porém Deus não está." [Um ano com C. S. Lewis. Ed Ultimato. Pg. 183.]
Precisamos de um grande milagre para resgatar as famílias. Ainda bem que Deus é especialista em milagres. Nós cuidamos da terra e semeamos, aí vem Deus é dá o milagre da vida, transformando as sementes em plantas. Gerando as flores e os frutos. Mas primeiro a semente tem que morrer para si. Morrer para seu desejo limitado de ser semente apenas.
Precisamos de uma família restaurada e completamente nova.
Ainda bem que "O Senhor ama a justiça e não desampara os seus santos; serão preservados para sempre, mas a descendência dos ímpios será exterminada." Salmos 37:28.
A saída existe. O milagre de uma nova família pode acontecer. Na verdade, nos sabemos como as famílias podem ser renovadas. Depende do caminho que escolhemos. "Espera no Senhor, segue o seu caminho." Salmos 37:34.

Alexandra Guerra Castanheira
Autora do livro " Infância: O Melhor Tempo Para Semear”. Pedagoga, palestrante e jardineira.
E-mail: alexaguerra76@hotmail.com Blog: alexaguerra.blogspot.com
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